SF *Brazilian* Portuguese Language (and dancing!) Meetups Message Board › The little Brazilian Space
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Racionais MC'S
Diário de um Detento "São Paulo, dia 1º de outubro de 1992, 8h da manhã. Aqui estou, mais um dia. Sob o olhar sanguinário do vigia. Você não sabe como é caminhar com a cabeça na mira de uma HK. Metralhadora alemã ou de Israel. Estraçalha ladrão que nem papel. Na muralha, em pé, mais um cidadão José. Servindo o Estado, um PM bom. Passa fome, metido a Charles Bronson. Ele sabe o que eu desejo. Sabe o que eu penso. O dia tá chuvoso. O clima tá tenso. Vários tentaram fugir, eu também quero. Mas de um a cem, a minha chance é zero. Será que Deus ouviu minha oração? Será que o juiz aceitou a apelação? Mando um recado lá pro meu irmão: Se tiver usando droga, tá ruim na minha mão. Ele ainda tá com aquela mina. Pode crer, moleque é gente fina. Tirei um dia a menos ou um dia a mais, sei lá... Tanto faz, os dias são iguais. Acendo um cigarro, e vejo o dia passar. Mato o tempo pra ele não me matar. Homem é homem, mulher é mulher. Estuprador é diferente, né? Toma soco toda hora, ajoelha e beija os pés, e sangra até morrer na rua 10. Cada detento uma mãe, uma crença. Cada crime uma sentença. Cada sentença um motivo, uma história de lágrima, sangue, vidas e glórias, abandono, miséria, ódio, sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo. Misture bem essa química. Pronto: eis um novo detento Lamentos no corredor, na cela, no pátio. Ao redor do campo, em todos os cantos. Mas eu conheço o sistema, meu irmão, hã... Aqui não tem santo. Rátátátá... preciso evitar que um safado faça minha mãe chorar. Minha palavra de honra me protege pra viver no país das calças bege. Tic, tac, ainda é 9h40. O relógio da cadeia anda em câmera lenta. Ratatatá, mais um metrô vai passar. Com gente de bem, apressada, católica. Lendo jornal, satisfeita, hipócrita. Com raiva por dentro, a caminho do Centro. Olhando pra cá, curiosos, é lógico. Não, não é não, não é o zoológico Minha vida não tem tanto valor quanto seu celular, seu computador. Hoje, tá difícil, não saiu o sol. Hoje não tem visita, não tem futebol. Alguns companheiros têm a mente mais fraca. Não suportam o tédio, arruma quiaca. Graças a Deus e à Virgem Maria. Faltam só um ano, três meses e uns dias. Tem uma cela lá em cima fechada. Desde terça-feira ninguém abre pra nada. Só o cheiro de morte e Pinho Sol. Um preso se enforcou com o lençol. Qual que foi? Quem sabe? Não conta. Ia tirar mais uns seis de ponta a ponta (...) Nada deixa um homem mais doente que o abandono dos parentes. Aí moleque, me diz: então, cê qué o quê? A vaga tá lá esperando você. Pega todos seus artigos importados. Seu currículo no crime e limpa o rabo. A vida bandida é sem futuro. Sua cara fica branca desse lado do muro. Já ouviu falar de Lucífer? Que veio do Inferno com moral. Um dia... no Carandiru, não... ele é só mais um. Comendo rango azedo com pneumonia... Aqui tem mano de Osasco, do Jardim D'Abril, Parelheiros, Mogi, Jardim Brasil, Bela Vista, Jardim Angela, Heliópolis, Itapevi, Paraisópolis. Ladrão sangue bom tem moral na quebrada. Mas pro Estado é só um número, mais nada. Nove pavilhões, sete mil homens. Que custam trezentos reais por mês, cada. Na última visita, o neguinho veio aí. Trouxe umas frutas, Marlboro, Free... Ligou que um pilantra lá da área voltou. Com Kadett vermelho, placa de Salvador. Pagando de gatão, ele xinga, ele abusa com uma nove milímetros embaixo da blusa. Brown: "Aí neguinho, vem cá, e os manos onde é que tá? Lembra desse cururu que tentou me matar?" Blue: "Aquele puta ganso, pilantra corno manso. Ficava muito doido e deixava a mina só. A mina era virgem e ainda era menor. Agora faz chupeta em troca de pó!" Brown: "Esses papos me incomoda. Se eu tô na rua é foda..." Blue: "É, o mundo roda, ele pode vir pra cá." Brown: "Não, já, já, meu processo tá aí. Eu quero mudar, eu quero sair. Se eu trombo esse fulano, não tem pá, não tem pum. E eu vou ter que assinar um cento e vinte e um." Amanheceu com sol, dois de outubro. Tudo funcionando, limpeza, jumbo. De madrugada eu senti um calafrio. Não era do vento, não era do frio. Acertos de conta tem quase todo dia. Tem outra logo mais, eu sabia. Lealdade é o que todo preso tenta. Conseguir a paz, de forma violenta. Se um salafrário sacanear alguém, leva ponto na cara igual Frankestein Fumaça na janela, tem fogo na cela. Fudeu, foi além, se pã!, tem refém. Na maioria, se deixou envolver por uns cinco ou seis que não têm nada a perder. Dois ladrões considerados passaram a discutir. Mas não imaginavam o que estaria por vir. Traficantes, homicidas, estelionatários. Uma maioria de moleque primário. Era a brecha que o sistema queria. Avise o IML, chegou o grande dia. Depende do sim ou não de um só homem. Que prefere ser neutro pelo telefone. Ratatatá, caviar e champanhe. Fleury foi almoçar, que se foda a minha mãe! Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo... quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio! O ser humano é descartável no Brasil. Como modess usado ou bombril. Cadeia? Claro que o sistema não quis. Esconde o que a novela não diz. Ratatatá! sangue jorra como água. Do ouvido, da boca e nariz. O Senhor é meu pastor... perdoe o que seu filho fez. Morreu de bruços no salmo 23, sem padre, sem repórter. sem arma, sem socorro. Vai pegar HIV na boca do cachorro. Cadáveres no poço, no pátio interno. Adolf Hitler sorri no inferno! O Robocop do governo é frio, não sente pena. Só ódio e ri como a hiena. Ratatatá, Fleury e sua gangue vão nadar numa piscina de sangue. Mas quem vai acreditar no meu depoimento? Dia 3 de outubro, diário de um detento." |
| Rodrigo | |
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O Rappa
Minha alma A minha alma tá armada e apontada Para cara do sossego! (Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!) Pois paz sem voz, paz sem voz Não é paz, é medo! (Medo! Medo! Medo! Medo!) As vezes eu falo com a vida, As vezes é ela quem diz: "Qual a paz que eu não quero conservar, Prá tentar ser feliz?" As grades do condomínio São prá trazer proteção Mas também trazem a dúvida Se é você que tá nessa prisão Me abrace e me dê um beijo, Faça um filho comigo! Mas não me deixe sentar na poltrona No dia de domingo, domingo! Procurando novas drogas de aluguel Neste vídeo coagido... É pela paz que eu não quero seguir admitindo É pela paz que eu não quero seguir É pela paz que eu não quero seguir É pela paz que eu não quero seguir admitindo Edited by Rodrigo on Jun 18, 2010 8:36 PM |
| Rodrigo | |
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O Rappa
O que sobrou do Céu O, la lá, o la lá, ê ah O, la lá, o la lá, ê ê O, la lá, o la lá, ê ê ah O, la lá, o la lá, ê ê Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia Faltou luz mas era dia... di-ia Faltou luz mas era dia, dia, dia O som das crianças brincando nas ruas Como se fosse um quintal A cerveja gelada na esquina Como se espantasse o mal O chá pra curar esta azia Um bom chá pra curar esta azia Todas as ciências de baixa tecnologia Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina Pra gente ver... por entre prédios e nós... Pra gente ver... o que sobrou do céu... o la lá |
| Rodrigo | |
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Racionais MC's
Jesus Chorou Clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada, tem sabor de mar, pode ser discreta, inquilina da dor, morada predileta., na calada ela vem, refém da vingança, irmã do desespero, rival da esperança, pode ser causada por vermes e mundanas ou pelo espinho da flor, cruel que vc ama, amante do drama, vem pra minha cama, por querer, sem me perguntar me fez sofrer, e eu que me julguei forte, e eu que me senti, serei um fraco, quando outras delas vir, se o barato é louco e o processo é lento, no momento, deixa eu caminhar contra o vento, do que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável, o vento não, ele é suave, mas é frio e implacável, (é quente) borrou a letra triste do poeta, (só) correu no rosto pardo do profeta. Verme sai da reta, a lágrima de um homem vai cair, esse é o seu B.O. pra eternidade, diz que homem não chora, ta bom, falou ou vai pra grupo irmão ai Jesus chorou! Porra vagabundo óh, vou te falar, tô chapando, eita mundo bom de acabar, o que fazer quando a fortaleza tremeu e quase tudo ao seu redor, melhor, se corrompeu, (epa peralá, muita calma ladrão, cadê o espírito imortal do Capão??) lave o rosto nas águas sagradas da pia, nada como um dia após o outro dia que, sou eu seu lado direito, tá abalado por que veio? nego, é desse jeito! Durmo mal, sonho quase a noite inteira, acordo tenso, tonto e com olheira, na mente: sensação de mágoa e rancor uma fita me abalou na noite anterior -Alô!! -Ae dorme em doidão, mil fita acontecendo e cê ai.. -Que horas são?? -...Meio dia e vinte ó a fita é o seguinte ó, ñ éisqueirando não ó, fita de mil grau, ontem eu tava ali de CB, no pião, com um truta firmezão, cê tem que conhecer, se pam se liga ele vai saber derepente, ele fazia até um Rap num passado recente... - Uhum. -...vai vendo a fita, se naum acredita, quando tem que se é Jão (hã) pres'tenção, vai vendo: parei pra fumar um de remédio, com uns muleque lá e pá, trafica nos prédios, um que chegou depois, pediu pra dar uns 2, qual, um patrício ó, novão e os carái, fumaça vai, fumaça vem ele chapou o côco, se abriu que nem uma flor, ficou louco, tava eu mais dois truta e uma mina, num tempra prata show filmado ouvindo Guina, hi, o bico se atacou ó, falou uma pá do cê. - tipo o que? -Esse Brown aí é cheio de querer ser, deixa ele moscar e cantar na quebrada, vamo ver se é isso tudo quando ver as quadrada, periferia nada, só pensa nele mesmo, montado no dinheiro e ceis aí no veneno, e a cara dele truta? cada um no seu corre, tudo pelas verde, uns mata, outros morrem, eu mesmo se eu catar voa numa hora dessa, vou me destacar do outro lado de pressa, vou comprar uma house de boy depois alugo, vão me chamar de senhor...não por vulgo, mas pra ele só a zona sul que é a pa, diz que ele tira nós, nossa cara é cobrar, o que ele quiser nós quer, vem que tem, porque eu naum pago pau pra ninguém. E eu?? só registrei né,não era de lá os mano tudo só ouviu, ninguém falou um A - Quem tem boca fala o que quer pra ter nome, pra ganhar atenção das muié e/ou dos homens, amo minha raça, luto pela cor, o que quer que eu faça é por nós, por amor, naum entende o que eu sou, não entende o que eu faço, não entende a dor e as lágrimas do palhaço, mundo em decomposição por um triz, transforma um irmão meu num verme infeliz e a minha mãe diz: - Paulo acorda, pensa no futuro que isso é ilusão, os proprio preto não tá nem ai com isso não, olha o tanto que eu sofri, que eu sou, o que eu fui, a inveja mata um, tem muita gente ruim. -Pô mãe não fala assim que eu nem durmo, meu amor pela senhora já não cabe em Saturno, dinheiro é bom, quero sim se essa é a pergunta, mas a dona Ana fez de mim um homem e não uma puta! Ei você, seja lá quem for, pra semente eu não vim, então, sem terror, inimigo invisível, Judas incolor, perseguido eu já nasci, demorou, apenas por 30 moedas o irmão corrompeu, atire a primeira pedra quem tem rastro meu, cadê meu sorriso? onde tá? é, quem roubou? Humanidade é má, e até Jesus Chorou Lágrimas...Lágrimas...Jesus Chorou Vermelho e azul, hotel, pisca só no, cinza escuro do céu. Chuva cai lá fora e aumenta o ritmo, sozinho eu sou agora o meu inimigo intimo, lembranças más vem, pensamentos bons vai, me ajude,sozinho penso merda pra caráio, gente que acredito, gosto e admiro, brigava por justiça e paz levou tiro: Malcom X,Ghandi, Lennon, Marvin Gaye, Che Guevara, 2Pac, Bob Marley e o evangélico Martin Luther King... Lembrei de um truta meu falar assim: -Não joga pérolas aos porcos irmão, joga lavagem eles prefere assim, se tem de usar piolhagem! -Cristo que morreu por milhões, mas só andou com apenas 12 e um fraquejou periferia: Corpos vazios e sem ética lotam os pagode rumo à cadeira elétrica eu sei, você sabe o que é frustação, máquina de fazer vilão, eu penso mil fita, vou enlouquecer, e o piolho diz assim qdo me vê: -famoso pra karáio,durão, ih truta, faz seu mundo não Jão,hã, a vida é curta, só modelo por aí dando boi, põe elas pra chupar e manda andar depois, rasgar as madrugadas só de mil e cem, se sou eu truta, não tem pra ninguém, Zé Povinho é o Cão, tem esses defeitos, quê? cê tendo ou não cresce os zóio de qualquer jeito, cruzar se arrebentar, de repentemente vai, de ponto quarenta, só querer tá no pente. -Se só de pensar em matar já matou, eu prefiro ouvir o pastor: - Filho meu,não inveje o homem violento e nem siga nenhum dos seus caminhos... Lágrimas... Molha a medalha de um vencedor... Chora agora ri depois, ae, Jesus chorou... Lágrimas... |
| Rodrigo | |
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Racionais MC's
O Homem na Estrada -------- Vídeo com Sub's em Inglês! - Vídeo with sub's in English! ------- Um homen na estrada recomeça sua vida. Sua finalidade: a sua liberdade. Que foi perdida, subtraída; e quer provar a si mesmo que realmente mudou, que se recuperou e quer viver em paz, não olhar para trás, dizer ao crime: nunca mais! Pois sua infancia não foi um mar de rosas, não. Na feben, lembranças dolorosas, então. Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim. Muitos morreram sim, sonhando alto assim, me digam quem é feliz, quem não se desespera, vendo nascer seu filho no berço da miséria. Um lugar onde só tinham como atração, o bar, e o candomblé pra se tomar a benção. Esse é o palco da história que por mim será contada. ...um homem na estrada. Equilibrado num barranco incômodo, mal acabado e sujo, porém, seu único lar, seu bem e seu refúgio. Um cheiro horrível de esgoto no quintal, por cima ou por baixo, se chover será fatal. Um pedaço do inferno, aqui é onde eu estou. Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou. Numerou os barracos, fez uma pá de perguntas. Logo depois esqueceram, filhos da puta! Acharam uma mina morta e estuprada, deviam estar com muita raiva. "Mano, quanta paulada!". Estava irreconhecível, o rosto desfigurado. Deu meia noite e o corpo ainda estava lá, coberto com lençol, ressecado pelo sol, jogado. O IML estava só dez horas atrasado. Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim, quero que meu filho nem se lembre daqui, tenha uma vida segura. Não quero que ele cresça com um "oitão" na cintura e uma "PT" na cabeça. E o resto da madrugada sem dormir, ele pensa o que fazer para sair dessa situação. Desempregado então. Com má reputação. Viveu na detenção. Ninguém confia não. ...e a vida desse homem para sempre foi danificada. Um homem na estrada... Um homem na estrada.. Amanhece mais um dia e tudo é exatamente igual. Calor insuportável, 28 graus. Faltou água, ja é rotina, monotonia, não tem prazo pra voltar, hã! já fazem cinco dias. São dez horas, a rua está agitada, uma ambulância foi chamada com extrema urgência. Loucura, violência exagerada. Estourou a própria mãe, estava embriagado. Mas bem antes da ressaca ele foi julgado. Arrastado pela rua o pobre do elemento, o inevitável linchamento, imaginem só! Ele ficou bem feio, não tiveram dó. Os ricos fazem campanha contra as drogas e falam sobre o poder destrutivo delas. Por outro lado promovem e ganham muito dinheiro com o álcool que é vendido na favela. Empapuçado ele sai, vai dar um rolê. Não acredita no que vê, não daquela maneira, crianças, gatos, cachorros disputam palmo a palmo seu café da manhã na lateral da feira, Molecada sem futuro, eu já consigo ver, só vão na escola pra comer, Apenas nada mais, como é que vão aprender sem incentivo de alguém, sem orgulho e sem respeito, sem saúde e sem paz. Um mano meu tava ganhando um dinheiro, tinha comprado um carro, até rolex tinha! Foi fuzilado a queima roupa no colégio, abastecendo a playboyzada de farinha, Ficou famoso, virou notícia, rendeu dinheiro aos jornais, hu!, cartaz à policia Vinte anos de idade, alcançou os primeiros lugares... superstar do notícias populares! Uma semana depois chegou o crack, gente rica por trás, diretoria. Aqui, periferia, miséria de sobra. Um salário por dia garante a mão-de-obra. A clientela tem grana e compra bem, tudo em casa, costa quente de sócio. A playboyzada muito louca até os ossos! vender droga por aqui, grande negócio. Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim, Quero um futuro melhor, não quero morrer assim, num necrotério qualquer, como indigente, sem nome e sem nada, o homem na estrada. Assaltos na redondeza levantaram suspeitas, logo acusaram a favela para variar, E o boato que corre é que esse homem está, com o seu nome lá na lista dos suspeitos, pregada na parede do bar. A noite chega e o clima estranho no ar, e ele sem desconfiar de nada, vai dormir tranquilamente, mas na calada caguentaram seus antecedentes, como se fosse uma doença incurável, no seu braço a tatuagem, DVC, uma passagem , 157 na lei... No seu lado não tem mais ninguém. A Justiça Criminal é implacável. Tiram sua liberdade, família e moral. Mesmo longe do sistema carcerário, te chamarão para sempre de ex presidiário. Não confio na polícia, raça do caralho. Se eles me acham baleado na calçada, chutam minha cara e cospem em mim é.. eu sangraria até a morte... Já era, um abraço!. Por isso a minha segurança eu mesmo faço. É madrugada, parece estar tudo normal. Mas esse homem desperta, pressentindo o mal, muito cachorro latindo. Ele acorda ouvindo barulho de carro e passos no quintal. A vizinhança está calada e insegura, premeditando o final que já conhecem bem. Na madrugada da favela não existem leis, talvez a lei do silêncio, a lei do cão talvez. Vão invadir o seu barraco, "é a polícia"! Vieram pra arregaçar, cheios de ódio e malícia, filhos da puta, comedores de carniça! Já deram minha sentença e eu nem tava na "treta", não são poucos e já vieram muito loucos. Matar na crocodilagem, não vão perder viagem, quinze caras lá fora, diversos calibres, e eu apenas com uma "treze tiros" automática. Sou eu mesmo e eu, meu deus e o meu orixá. No primeiro barulho, eu vou atirar. Se eles me pegam, meu filho fica sem ninguém, e o que eles querem: mais um "pretinho" na febem. Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim, a gente sonha a vida inteira e só acorda no fim, minha verdade foi outra, não dá mais tempo pra nada... bang! bang! bang! Homem mulato aparentando entre vinte e cinco e trinta anos é encontrado morto na estrada do M'Boi Mirim sem número. Tudo indica ter sido acerto de contas entre quadrilhas rivais. Segundo a polícia, a vitíma tinha "vasta ficha criminal." |
| Rodrigo | |
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Xis
A Fuga A fuga cinematográfica é pra quem pode Estilo holywood na terra do sacode pobre Nasci com pouca sorte foda-se Mando aqui com dinheiro droga eu mando aqui Filma malandro sai do inferno Em pleno céu azul no mosquito de ferro Eu quero eu quero outro final Muda todo roteiro o mocinho vai perde Pru bandido verdadeiro eu pago Chama lá Pablo liga us loco Cinema novo o crime organizado Estrelando a SWAT e todo FBI Eu quero o Kojak correndo atrás de mim Ai no estilo poderoso chefão Serei o rei latino americano Comandando o tráfico da nação Diretamente do morro do juramento Eu treto eu só lamento se zé mané De brecha vai cumpri seu papel com tiro na testa O que não presta me resta sobro pra mim Não interessa eu vou até o fim Assim o crime nasceu independente... O crime é o crime eu não posso errar Um filme é só um filme então vem me filma Posso sonha até tentar ser feliz Ser du bem e não du mal sem desistir Melhor assim quem dera fosse assim A vida numa tela de cinema se fosse assim Meu fim trágico drama urbano du subúrbio Seria o vencedor o melhor do mundo Melhor filme de ação melhor diretor Aqui é ladrão... melhor ator não, não Corta volta liga faz tudo de novo A fotografia saca só que muito loco O esgoto o calor o cheiro podre O Cristo Redentor lá longe Eu penso tipo assim um moleque Descalço de bermuda sem camisa cabelo black Tipo um soldado na área chapando o coco Cuma PT na cinta no pé do morro Eu venho no mosquito bem tranqüilo Começa uma salva de tiro O clima é intenso quente... A subida do morro é diferente Até as ultimas conseqüências OZ A vida é uma prisão As cores da violência O dono da rua ou melhor do morro Favela cidade proibida que nome eu do? O Predador Scarface Jogo bruto Febre da selva Sobrevivendo ao jogo Inimigo publico Barra pesada Perigo para a sociedade ...Ambição em alta voltagem hã... pra mim tanto faz tanto vai fazê não interessa coloca tipo assim a fuga mais fudida do planeta terra A vida mais sofrida a história que ninguém acredita A traição a dor o amor se liga na fita bandido policia Palmeiras Corinthians DEUS e diabo Flamengo Vasco Tem uns baguio que não combina o quê que eu faço? Essa porra é minha vida de verdade O sangue não é maquiagem não tem duble O tombo não faz eco... o som não é estéreo Esse cenário é muito triste deprimente... Vem conferi mundão, chega mais pode filma! Gente de valor mora aqui, esse é o lugar Pode crê! Diz aí Essa aqui vai pras favela do Rio, prus morro do Rio Pras favela de tudo quanto é canto do Brasil Malandro é e malandro mané é mané Vo firma pode crê que é Se liga ai ladrão 4P é o que há Apelidado Xis Preto Bomba O crime é o crime eu não posso errar Um filme é só um filme então vem me filma José Carlos dos Reis Encina vulgo Escadinha Iai KL Jay risca us Originais segue a rima Edited by Rodrigo on Sep 27, 2009 11:47 AM |
| Rodrigo | |
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Xis
Sonho Meu Tento acreditar que foi um sonho. Nossa... Pra explicar ou entender vai ser foda. Um rolo compressor, como se fosse, o mais fudido, devastador, impacto fulminante. Não me restou uma saída ou outra chance, não. Por um instante pensei que era aquilo e só. Tristeza de dar dó, desilusão com tudo, caiu meu mundo eu me senti só o pó. A gente acredita vai e se dedica mata morre por alguém, por algo que se tem. Porém, no escuro pelas costas vem um tiro, fecham-se as cortinas e você não é mais ninguém. Ultima cena, ultimo ato, a dor... Porcos festejam sobre o corpo de um defensor. Que dedicou... Enfim... O máximo de si, que então tentou então tentou e se fudeu no fim Não sou ator isso aqui não é novela Real realidade eu faço parte dela Num tou entre um comercial e outro e tal Passando a rola e pah na pilantra da atriz principal Eu tou falando de traição de pilantragem Minha poética versão minha verdade Mais apurada sincera que Deus me deu Até parece que foi sonho meu Sonho meu... Até parece que foi sonho meu Sonho meu... Como faz falta um abraço seu Não vejo a hora de isso tudo acabar Me dá uma chance eu quero acreditar Que nada dessa porra aconteceu Seis da manhã A insônia me pegou me fudeu trouxe a lembrança Nada de chá nada de café Eu quero é um gole de amor de esperança Paz de criança dormindo ligou? A tática perfeita o respeito o amor... O coro Oh! oh! A gíria! morô? A última ponta de luz puxou? Talvez um dia lá você esteja louco lá Com o dedo no gatilho suando frio pronto pra atirar Firmeza seu mano e você firmeza O plano definido a fita derradeira Não falo de contrato eu falo de amizade O fato é o que eu falo e o que eu faço e com cumplicidade Na malandragem do bem quem liga, ligou Sou quem rima o terror, tou na paz do senhor Ei meu mano num atirou, pipocou Falto disposição na ladeira, me abandonou Aonde estou? que treta? que fita? Está é minha vida hehe... cê acredita? Em um instante tudo se perdeu Quem é você? me responde.. quem sou eu? O fim da linha por um erro que se cometeu Até parece que foi sonho meu... Sonho meu... Até parece que foi sonho meu Sonho meu... Como faz falta um abraço seu Não vejo a hora de isso tudo acabar Me dá uma chance eu quero acreditar Que nada dessa porra aconteceu Fui humilhado, tratado como um nada, um bosta! Inocente ou culpado.. agora não importa. bosta! Perdi a vida, fecharam-se as portas. bosta! Não tive média me expulsaram da escola, bosta! Minha ferida não cicatriza, é foda! Tudo o que passei o que sofri.. quem se incomoda? Como é foda saber que a causa é uma bosta E a conseqüência na sua cara engatilhada é foda Passa o dia passa a hora passa o tempo... passa a bola É foda, minha memória infectada descontrola Abala o corpo e sobra a alma pra vitória, bosta! Um pobre dialeto que me sobra, vi violência pura me tortura, como é foda! sonho um dia ser feliz Sair da bosta um salve pras cadeia do país Paz e Glória... Sonho meu... Até parece que foi... Sonho meu... |
| Rodrigo | |
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Cidinho e Doca
Rap das Armas Parapapapapapapapapa Paparapaparapapara clack bum Parapapapapapapapapa Morro do Dendê é ruim de invadir Nois, com os Alemão, vamo se diverti Porque no Dendê eu vo dizer como é que é Aqui não tem mole nem pra DRE Pra subir aqui no morro até a BOPE treme Não tem mole pro exército civil nem pra PM Eu dou o maior conceito para os amigos meus Mais Morro Do Dendê Também é terra de Deus Fé em Deus, DJ Vamo lá Parapapapapapapapapa Parapapapapapapapapa Paparapaparapapara clack bum Parapapapapapapapapa Morro do Dendê é ruim de invadir Nois, com os alemão, vamo se diverti Porque no Dendê eu vo dizer como é que é Aqui não tem mole nem pra DRE Pra subir aqui no morro até a BOPE treme Não tem mole pro exército civil nem pra PM Eu dou o maior conceito para os amigos meus Mas morro do Dendê também é terra de Deus Vem um de AR15 e outro de 12 na mão Vem mais um de pistola e outro com 2oitão Um vai de URU na frente escotando o camburão Tem mais dois na retaguarda mas tão de Glock na mão Amigos que eu não esqueço nem deixo pra depois Lá vem dois irmãozinho de 762 Dando tiro pro alto só pra fazer teste De ina-ingratek, pisto-uzi ou de winchester É que eles são bandido ruim e ninguém trabalha De AK47 e na outra mão a metralha Esse rap é maneiro eu digo pra vocês, Quem é aqueles cara de M16 A vizinhaça dessa massa já diz que não agüenta Nas entradas da favela já tem ponto 50 E se tu toma um pá, será que você grita Seja de ponto 50 ou então de ponto 30 Mas se for Alemão eu não deixo pra amanhã Acabo com o safado dou-lhe um tiro de pazã Porque esses Alemão são tudo safado Vem de garrucha velha dá dois tiro e sai voado E se não for de revolver eu quebro na porrada E finalizo o rap detonando de granada Parapapapapapapapapa, valeu Paparapaparapapara clack bum Vem um de AR15 e outro de 12 na mão Vem mais um de pistola e outro com 2oitão Um de URU na frente escotando o camburão Tem mais dois na retaguarda mas tão de Glock na mão Amigos que eu não esqueço nem deixo pra depois Lá vem dois irmãozinho de 762 Dando tiro pro alto só pra fazer teste De ina-ingratek, pisto uzi ou de winchester A vizinhaça dessa massa já diz que não agüenta Nas entradas da favela já tem ponto 50 E se tu toma um pá será que você grita Seja de ponto 50 ou então de ponto 30 Esse rap é maneiro eu digo pra vocês Quem é aqueles cara de M16 Mas se for Alemão eu não deixo pra amanhã Acabo com o safado dou-lhe um tiro de pazã Porque esses Alemão são tudo safado Vem de garrucha velha dá dois tiro e sai voado E se não for de revolver eu quebro na porrada E finalizo o rap detonando de granada Parapapapapapapapapa Paparapaparapapara clack bum Parapapapapapapapapa |
| Rodrigo | |
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Ndee Naldinho
O quinto vigia Dez horas da noite vou sair fora... Amanhã não demora É o sistema que eu gosto eu tô em cima Com oito mano envolvido e três mina A firma trabalha é correria é adianto E o lugar certo é um banco Bradesco, HSBC ou Itaú tudo no esquema. Eu vou quinze pras seis da manhã já tô alerta As minas do esquema também já tão esperta Deixaram uma mensagem no meu celular Tudo em código pra não atrapalhar Saí de manhã cedo sem chamar atenção Cheguei no local cumprimentando os irmão Tomei um café e fumei um pra relaxar Fiquei com os mano esperando a hora H Os mano nos colete a prova de bala Eu meti uma touca preta escondendo a cara Saimos da sul em direção à Zona Norte direto pra Guilherme Cotching. A cada avenida um sinal de tortura: Toda hora vejo várias viaturas Um GTI azul com cinco mano é suspeito Assim eu vejo os manos, eu tô no monza preto Puta que pariu, os homi tão do outro lado Se vir na nossa agora vai ficar embassado Cheio de flagrante, armado até os dente A gente segue em frente Liguei meu mano que tava do meu lado Que tava tudo bem, que os homens tinha vazado Instinto sempre alerta é o certo... É sempre bom tá esperto Refrão: prapá pá pá ladrão não pode vacilar prapá pá´pá pá pá Paro um pouco penso, reflito Pressentindo um momento de risco Mas o medo não me abala, não domina Mesmo que abale eu tô em cima O sangue frio de São Paulo não nega O medo é constante, mas ladrão não se entrega A vida é loucura,157 consciente Distribuído em vários pente Três mina e os mano já vão partir pra dentro... Só pra filmar o movimento A abertura do cofre tem horário programado Mas o gerente vacila e eu tô ligado Não reage, ninguém é louco vacilou, levou pipoco Aquela segurança nem vai dar pro cheiro Vai ficar de joelho 11:15 movimento normal contagem regressiva a hora é essa o mano avisa 11:17 tudo no esquema A gente entra em cena Porta automática, detector de metal circuito interno de filmagem, é mal Ação rápida pro tempo não passar senão a garra pode chegar REFRÃO É fogo no pavio os mano invadiu E o sistema é o Banco do Brasil Quem der bobeira vai pra casa do caralho A vigilância de oitão, tem vários Dentro da agência pânico total A gente controlando o sistema, normal Aqui ninguem vai atirar em ninguém Mas por enquanto todo mundo é refém Vai quatro mano recolhendo o dinheiro e três mano no pente controlando os cliente Já tinha desarmado quatro vigia Tinha um escondido e a gente não sabia Um cusão passou na frente, olhou pra dentro Estranhou o movimento Correu em direção a uma viatura Vamos sair fora vamo dar fuga Os malotes no esquema, tudo preparado Mas o vigia escondido tá armado A gente na fuga, ele acertou na minhas costas Não vou resistir, caí os mano acerto o vigia vamu em frente.... eu ainda to consciente.. Aranha rapido no Gol GTI tá mi tirando daqui... Mais um minuto e uma pá de viatura tá vindo na seca na nossa captura Velocidade alta fuga, correria Em destino a periferia Tô chegando na emergência do hospital Meu estado se agrava Tô ficando mal Já é tarde, não vou resistir. MORRI |
| Rodrigo | |
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Zé Ramalho
Chão de Giz Eu desço dessa solidão Disparo coisas sobre Um Chão de Giz Há meros devaneios tolos A me torturar Fotografias recortadas Em jornais de folhas Amiúde! Eu vou te jogar Num pano de guardar confetes Eu vou te jogar Num pano de guardar confetes... Disparo balas de canhão É inútil, pois existe Um grão-vizir Há tantas violetas velhas Sem um colibri Queria usar quem sabe Uma camisa de força Ou de vênus Mas não vou gozar de nós Apenas um cigarro Nem vou lhe beijar Gastando assim o meu batom... Agora pego Um caminhão na lona Vou a nocaute outra vez Prá sempre fui acorrentado No seu calcanhar Meus vinte anos de "boy" That's over, baby! Freud explica... Não vou me sujar Fumando apenas um cigarro Nem vou lhe beijar Gastando assim o meu batom Quanto ao pano dos confetes Já passou meu carnaval E isso explica porque o sexo É assunto popular... No mais estou indo embora! No mais estou indo embora! No mais estou indo embora! No mais!... |