“L’ECLISSE” 1962 | 2h06’ [IT/FR] | LIGHTS IN THE CAVE VIII Films
Details
Conversas com Cinema© PROSA
Ciclo Luzes na Caverna VIII:
(Ex-Pensamentos sobre uma filosofia da imagem)
#### ”A imagem como erosão da presença.”
#### “L’ECLISSE” 1962 | 2h06’ [IT/FR] (O Eclipse - PT/ENG)
#### De Michelangelo Antonioni
Sexta-feira Dia 16/01 às 19h30 [Friday 01/16 at 7:30pm]
L’ECLISSE retira à presença a sua evidência e expõe o seu desgaste silencioso: cada rosto, cada gesto, surge como vestígio de algo que já começou a afastar-se no momento em que se mostra. Aqui, não há revelação nem redenção — há erosão. Que forma de verdade persiste quando a relação se dissolve no espaço, quando o encontro falha não por tragédia, mas por esvaziamento progressivo do sentido? Que consciência se ativa quando a imagem deixa de garantir a presença e passa a testemunhar a sua lenta retirada? Em Antonioni, o cinema não encarna o mundo — regista a fratura íntima entre estar e existir, fazendo da imagem que ainda insiste em permanecer, o lugar onde a presença se apaga.
Spoken in Italian | Subtitled in English
Para Jovens e Adultos | Com Alexandre Braga
Aqui, o cinema já não caminha com os corpos — circunda-os.
Os personagens atravessam espaços que não os acolhem; falam, mas não se encontram; aproximam-se sem nunca coincidir. A cidade moderna — bolsas de valores, prédios geométricos, ruas desertas — não é cenário: é força ativa de dissolução. Em L’ECLISSE, a imagem não confirma a presença — corroi-a lentamente, até restar apenas o intervalo entre um gesto e outro.
Michelangelo Antonioni constrói o filme como um dispositivo de esvaziamento — narrativo, afetivo e visual — onde a relação humana não colapsa por conflito, mas por desgaste. A criação da obra parte da recusa deliberada do drama clássico: não há progressão psicológica, nem resolução, nem promessa de sentido. Há apenas intervalos. Filma-se a ausência sem dramatizá-la. Não há catástrofe, nem redenção, nem clímax: há erosão. A câmara observa o mundo continuar mesmo quando os personagens falham, como se a realidade já não precisasse deles para persistir.
O célebre plano final — sem protagonistas — consuma esse gesto: a imagem permanece, mas a presença humana tornou-se dispensável.
Em L’Eclisse, a imagem não conduz a um sentido oculto: testemunha a sua erosão. A criação do filme assenta nessa aposta rigorosa — técnica e filosófica — de que o cinema pode abandonar a função de representar o humano para revelar algo mais inquietante: a persistência do mundo quando a presença já não consegue habitá-lo. Aqui, a imagem não encarna — desgasta.
L’ECLISSE withdraws presence from its own evidence and exposes its silent erosion: every face, every gesture appears as a trace of something that has already begun to recede at the very moment it becomes visible. Here, there is no revelation or redemption — only erosion. What kind of truth persists when relationships dissolve into space, when encounters fail not through tragedy but through the gradual emptying of meaning? What form of awareness is activated when the image no longer guarantees presence and instead bears witness to its slow withdrawal? In Antonioni, cinema does not embody the world — it records the intimate fracture between being and existing, making the image that still insists on remaining the very place where presence fades away.
Mais info:/More info:
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Todos os filmes do Cinema PROSA serão exibidos num pixel iluminado (ecrã QLED de 65’’) numa sala com capacidade máxima para 24 espectadores.
All Cinema PROSA films will be shown on an illuminated pixel (65’’ QLED screen) in a room with a maximum capacity of 24 spectators.
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